Entrevista: Ana Maria da OCHA [ONU]

 Hoje o Estratégias de Vida teve o prazer de entrevistar uma funcionária da ONU altamente capacitada.

Formada em Análise de Sistemas pela UFPR, abandonou emprego em uma Multinacional e uma vida confortável no Brasil para compor a MINUSTAH. Em alguns meses no Haiti, aprendeu novos idiomas e mudou a vida dela de cabeça para baixo, e para melhor!  Confira um exemplo de Estratégia que deu certo, pois é incrível a inspiradora história desta brasileira.

1.  Olá Ana Maria, tudo bem? Pode se apresentar para quem não te conhece? 

 Me chamo Ana Maria, sou de Palma Sola – SC, curitibana no coração,  formada em Análise e desenvolvimento de sistemas pela UFPR e trabalho para o escritório de assuntos humanitários nas Nações Unidas no Haiti como oficial de gestão de informação.

2. Antes de ir para lá, o que você fazia?

Eu era analista de sistemas na Siemens Brasil, trabalhando 40h semanais. Raramente trabalhava mais que 40h numa semana, tinha horário flexível e podia trabalhar em casa se quisesse. Uma situação bastante confortável.

3. Como é morar no Haiti?

Foi a primeira vez que deixei o Brasil para morar em outro lugar. No início foi bem difícil me adaptar a um país e uma forma de vida tão diferente. Minha relação com o Haiti poderia ser classificada de paradoxal.

Ao mesmo tempo que este país me ofereceu grandes oportunidades de crescimento e aprendizado,  novos amigos e excelentes momentos, nunca me senti em casa. O fato de estar longe de minha família e marido faz com que esteja sempre querendo partir.

Por um lado a cultura haitiana é super interessante, por outro a ausência de estruturas urbanas tornam a vida mais difícil.

4. Você pode falar um pouco mais sobre a missão que desempenha hoje?

Meu trabalho na MINUSTAH durou 1 ano e meio. A Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti tem a missão de ajudar o país a chegar a uma estabilidade política e reforçar as capacidades de suas instituições de forma que o Haiti possa entrar em um ciclo de desenvolvimento. No período que trabalhava na MINUSTAH, eu tinha a responsabilidade de prestar suporte técnico a meu escritório, desenvolver mapas e administrar a base de dados.

Desde setembro estou trabalhando no Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). Sou responsável por coordenar as atividades das equipes de gestão de informação e relações públicas.

             “SEJA HONESTO CONSIGO MESMO”

5. Por que decidiu largar sua carreira na multinacional e se aventurar para o desconhecido?

Por vários motivos. Primeiro eu sonhava em trabalhar para uma organização internacional que tivesse impacto positivo para a sociedade. Ou seja,  queria uma organização ou ONG que trabalhasse com assuntos humanitários ou desenvolvimento. Segundo, porque sonhava em morar fora do Brasil há muito tempo, mas queria que fosse na minha área. Além disso estava cansada da minha rotina e meu trabalho no Brasil.

6. Por que a ONU e por que o Haiti?

A ONU foi  uma escolha quase que natural. Por ser uma organização conhecida e respeitada internacionalmente e porque gosto muito do trabalho das agências como UNICEF, ACNUR e PAM.

Também pensei na época em trabalhar para os Médicos sem fronteiras, mas percebi que não teriam muitas vagas pra uma analista de sistemas. Quanto ao Haiti, foi ele quem me escolheu. Quando me inscrevi como voluntária não sabia pra onde iria até me oferecerem a vaga aqui.

7. O que mudou na sua vida de 2014 quando pediu a demissão até hoje?

Minha vida mudou radicalmente com certeza. Aprendi novos idiomas (falo inglês,  espanhol, francês e um pouco de creole haitiano), fiz novos cursos e muitos amigos. Me distanciei um pouco da minha família (é complicado manter laços por Skype). Passei a entender um pouquinho mais sobre muitos países. Parece pouco, mas eu não fazia idéia onde ficavam certos países da África ou Ásia. Hoje tenho uma sensibilidade cultural muito mais elevada.

Profissional e financeiramente dei um salto enorme. E claro que no início fiz um certo sacrifício porque minha ajuda de custo como voluntária dava só pra pagar as contas. Mas esse sacrifício inicial está dando um ótimo retorno agora.

8. Você foi muito corajosa em largar a segurança e o status que a empresa te dava, que são sentimentos que muita gente procura. Quais foram os sentimentos que nortearam sua atitude? No que você pensava?

“Lembrar que você irá morrer um dia é a melhor maneira que conheço de evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.” Steve Jobs

Essa foi uma das frases que mais me impressionaram e influenciaram na época. Se pensarmos em quão efêmera é nossa vida, entenderemos que não há nada a perder. Ainda mais se levarmos em conta que não estamos no controle de nada, estabilidade não existe.

Tinha medo de viver uma vida medíocre simplesmente por estar presa ao status de um emprego ou um bom salário.

Quando decidi partir pensei: “O máximo que vai acontecer é que vou ter que voltar ao Brasil e recomeçar.

9. Quando sua temporada no Haiti acabar, o que pretende fazer?

Num primeiro momento quero me mudar para os EUA com meu esposo e buscar trabalho em organizações internacionais. Também quero muito viver em outros países, quem sabe Europa,  Ásia ou América do Sul

Também tenho sonhos de empreender e viajar pelo mundo.

10. Que conselhos você pode dar às pessoas que precisam firmar um compromisso com elas próprias em montar uma Estratégia de Vida?

Primeiro: seja sincera(o) consigo mesma(o) e identifique quais são seus valores. O que realmente é importante pra você? Quais são os seus sonhos?

Ser honesta(o) consigo mesma(o) é o primeiro passo para ter uma Estratégia de Vida que faça sentido e com a qual você estará comprometida(o).

Segundo: seja capaz de desistir e abrir mão de coisas que voce já conquistou para ir em busca de novos objetivos. Quando você identificar um novo sonho/objetivo, talvez será necessário abrir mão de objetos, hábitos, etc.

Terceiro:  arrisque-se! O medo de mudar e arriscar é o que paralisa as pessoas e fazem com que permaneçam estagnadas. Sempre há uma chance de fracassarmos quando corremos riscos, mas me parece um fracasso muito pior nunca tentar.

Esta entrevista foi para você que tem medo de arriscar por estar em uma zona de conforto, mas ao mesmo tempo está se sentindo preso e infeliz. Renove-se e acorde a cada dia com vontade de viver. Se está acordando e seu pensamento está sendo “ah não, mais um dia eu acordo para fazer isso.” é porque algo está errado. Reflita!

Tem alguma dúvida? Precisa de mais informações para criar uma Estratégia de Vida?

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Caso queira fazer mais perguntas a entrevistada, por favor, clique aqui e envie um e-mail a ela.

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